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Janeiro Branco chega como
convite a refletir sobre saúde emocional justamente no início do ano, quando
metas, reestruturações e demandas se renovam nas empresas. Essa campanha
reforça que o bem-estar psicológico deve ser tratado como parte integrante da saúde
ocupacional: colaboradores mentalmente equilibrados concentram-se melhor,
cometem menos erros e participam de um clima organizacional que previne
acidentes e reduz afastamentos. Tratar a saúde mental apenas como tema pontual
é insuficiente; por isso é preciso incorporá-la às práticas diárias da
organização.
No ambiente corporativo, o
cuidado com a saúde mental está diretamente ligado à gestão de riscos
psicossociais. Excesso de jornada, metas abusivas, falta de clareza sobre
funções, assédio e baixos recursos para realização do trabalho elevam o risco
de adoecimento. A resposta eficaz exige abordagem multidisciplinar:
identificação sistemática dos fatores de risco, ações de engenharia e
organizacionais para reduzir a exposição e programas de suporte clínico para
aqueles que já apresentam sinais de sofrimento. Assim, prevenção e cuidado
caminham juntos.
Há medidas práticas e
imediatas que empresas podem adotar. Formação de líderes para identificação
precoce de sinais de estresse, canais de escuta confidenciais, programas de
apoio psicológico (EAP), flexibilização de jornadas quando possível, pausas
regulares, revezamento de tarefas que exijam alta carga cognitiva e
treinamentos sobre gestão do estresse e resiliência são intervenções de alto
impacto. Ferramentas simples como pesquisas de clima e saúde, entrevistas de
retorno ao trabalho e reuniões de acompanhamento ajudam a detectar tendências e
direcionar ações antes que o problema escale.
Monitorar resultados e
ajustar ações também é fundamental. Indicadores como taxa de absenteísmo,
presenteísmo, turnover, número de comunicados de incidentes e resultados de
pesquisas de clima oferecem sinais objetivos sobre a efetividade das medidas.
Esses dados devem ser integrados aos programas existentes (PCMSO, PGR) e
reverberados em ciclos de melhoria contínua: avaliar, intervir, mensurar e
ajustar. Políticas documentadas e treinamento recorrente asseguram que a
prevenção não dependa de iniciativas pontuais, mas de um processo consolidado.
Janeiro Branco é a deixa
para começar (ou para reforçar) uma agenda permanente pela saúde mental no
trabalho. Empresas que adotam essa postura protegem pessoas e ativos, melhoram
produtividade e reduzem custos com afastamentos. Para transformar intenção em
resultado, vale desenhar um plano com diagnóstico, ações prioritárias, métricas
e prazos, além de buscar apoio técnico qualificado para implementação e
capacitação das equipes.
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